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Vinhos para casamentos
As festas de casamento têm um especial simbolismo e cada vez mais necessitam um longo planejamento, em alguns casos até com um ano de antecedência. A escolha dos pratos e das bebidas demanda atenção e cuidado para que um momento inesquecível não se transforme numa fonte de más recordações.
Nos últimos tempos, os vinhos têm ocupado um lugar de destaque nas festas de casamento, eclipsando a tradicional cerveja, especialmente nas festas noturnas. E aí começam as preocupações. Diante da imensa variedade de vinhos disponíveis no mercado (espumantes, brancos e tintos), sobram palpites infelizes, dúvidas cruéis e até indicações mal intencionadas. Como proceder para não “fazer feio” perante os convidados? A receita não é muito fácil, mas também não é nenhum “bicho-de-sete-cabeças”. É perfeitamente possível incluir vinhos de boa qualidade na festa, sem gastar muito.
Os espumantes são um terreno minado, onde as possibilidades de errar são maiores. Há uma tendência a não se considerar os espumantes como vinhos de qualidade, deixando a cargo do “buffet” a decisão final. Na maioria das vezes, a escolha recai sobre o pouco confiável “Lambrusco”, um vinho italiano de má fama e qualidade duvidosa, principalmente na faixa inferior de preço. O “Lambrusco” é um vinho produzido na região da Emilia-Romagna, na Itália, a partir da uva de mesmo nome, em suas diversas versões. No Brasil os melhores exemplares de “Lambrusco” raramente estão disponíveis e o que sobra é o vinho diluído, insosso, com baixo teor alcoólico e doce. E essa “zurrapa” é servida aos convidados, invariavelmente quente, estragando logo de início o que poderia ser uma ótima festa.
Como escapar da “armadilha Lambrusco”? Há inúmeras alternativas, começando pelos honestos espumantes brasileiros, que se equivalem em preço e são muito melhores.
Outra opção é o “Prosecco”, um vinho que também oferece alguns riscos, pois o mercado está inundado com vinhos muito pouco recomendáveis. Se quiser algo mais sofisticado, pense na “Cava”, o espumante espanhol produzido na Catalunha, que tem ótimas credenciais para fazer um belo papel. Além disso, se harmoniza muito bem com entradas, peixes e aves, fazendo um bom contraponto para os pratos geralmente servidos nesse tipo de festa. Um bom exemplo é a “Cava Don Román Brut”, de imbatível relação qualidade/preço.
Agora, se a intenção for servir um vinho de alta classe (e preço), se impõe um legítimo e inconfundível champanhe, que é o espumante produzido na região demarcada de Champagne na França. Inigualável em elegância, um champanhe cativa pelos aromas de frutas secas e notas de tostado e brioches, sendo a máxima expressão de um vinho espumante. Experimente a sofisticada “Deutz”, um champanhe de alta classe e preço acessível.
Na sequência, abordaremos os vinhos para acompanhar o jantar do casamento. Estamos nos referindo aos vinhos brancos, tintos e ao espumante para acompanhar o bolo, se for o caso.
Para acompanhar as entradas, massas com molho branco, peixes e aves, os vinhos brancos são os mais adequados. Uma opção interessante seria servir o vinho espumante com a entrada e o primeiro prato e depois passar direto para o tinto. Fica mais em conta e o resultado é bastante satisfatório.
Claro que um bom e agradável vinho branco é sempre uma boa pedida, principalmente nos meses mais quentes. Existem muitos vinhos brancos interessantes no mercado e a escolha é sempre difícil, mas existem regras gerais que podem ajudar bastante.
Prefira os vinhos brancos mais aromáticos, leves e com boa acidez, que são mais fáceis de beber e combinam melhor com os pratos citados. Para não ficar na mesmice dos vinhos da uva Chardonnay, geralmente chilenos e argentinos, procure alternativas no Velho Mundo, em países como Portugal e França, que hoje abastecem o mercado com vinhos de alto nível e de preço bastante acessível. Como exemplos, podemos citar o delicioso “Filipa Pato Ensaios FP Branco” (foto), produzido em Portugal com as uvas Arinto e Bical e o ótimo “Château des Aveylans Blanc”, um bom representante dos vinhos do Languedoc-Roussillon, região francesa de prestígio ascendente. Se a opção for pela Austrália, fique com o “Bleasdale Langhorn Crossing”, um delicioso corte de Chardonnay, Riesling e Verdelho, fresco e muito frutado.
Para as carnes, a opção preferencial será sempre pelos vinhos tintos. Aqui a escolha é mais fácil, pois há fartura de boas ofertas no mercado. A principal característica de um tinto para festas é que seja frutado, macio, intenso, agradável e que não tenha amargor e/ou adstringência importante, características de vinhos mal elaborados. Para não errar, fique com os ótimos vinhos da uva Malbec, produzidos na Argentina, dos quais o saboroso “Alfredo Roca Malbec” é um bom exemplo. Os vinhos australianos também se encaixam perfeitamente no perfil indicado e é possível encontrar alguns muito interessantes e com preços acessíveis, como o “Bleasdale Langhorn Crossing Shiraz/Cabernet Sauvignon”. Aqui os brasileiros também podem ser lembrados, e uma indicação de peso é o “Salton Volpi Merlot”, um vinho que surpreende pela deliciosa fruta.
Para finalizar, temos que falar da famosa dupla “bolo e champanhe”. Cuidado, pois aqui mora o perigo. Primeiro, é bom lembrar que quase nunca é servido champanhe, e sim espumante. Segundo, porque na maioria das vezes o espumante é seco e o bolo doce. Diz a regra que a combinação de vinhos com sobremesas deve ser feita de forma que o vinho tenha doçura igual ou maior que a sobremesa, portanto, se a escolha for servir espumante com o bolo, tenha em mente que o espumante deve ser obrigatoriamente doce. Para não errar, escolha um bom Moscatel Espumante (“Miolo Terranova”, “Salton Moscatel Espumante” ou “Rio Sol Moscato”), que certamente dará conta do recado.
Com as escolhas certas, a festa de casamento será inesquecível!
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