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Vinhos para viagem

Cada vez mais os brasileiros estão praticando o enoturismo, uma modalidade que caiu definitivamente no gosto dos consumidores. Afinal de contas, conhecer regiões vinícolas é realmente uma atividade muito prazerosa, que estimula os sentidos e permite um contato privilegiado com enólogos (que são as pessoas responsáveis pela elaboração dos vinhos), com os vinhedos, com a vinícola, com a gastronomia e com a cultura a elas associada.

Claro que, nessas viagens, o mais interessante é a possibilidade de degustar inúmeros vinhos, de diferentes estilos, que certamente irão atrair a atenção do consumidor e despertar uma imensa vontade de trazer tudo para casa, para repetir aqueles preciosos momentos de puro prazer. Nessa hora, a razão fica de lado e o viajante, cego de paixão, passa a comprar tudo o que vê pela frente, sem pensar nos transtornos que o aguardam na volta.

Com as novas medidas de segurança adotadas em todo o mundo, trazer vinhos a bordo de aviões virou uma verdadeira odisséia, pois os vinhos terão que ser obrigatoriamente despachados como bagagem e para tanto, deverão ser muito bem embalados, para não termos as preciosas garrafas em cacos na chegada. Despachar no meio das roupas, dentro de malas comuns, é temerário e já presenciamos grandes tragédias, com desfecho previsível e pouco agradável.

Se você realmente pretende trazer vinhos com você, trate de arrumar uma embalagem adequada para tanto. A melhor opção consiste num isopor, com espaços para encaixar as garrafas, envolvido numa lona resistente ou acomodado numa sacola apropriada (já existem várias dessas embalagens no mercado). Outra variável que precisa ser considerada é o peso final da embalagem. Lembre-se que as companhias aéreas estão cada vez mais rigorosas com os limites de peso permitidos e os excessos são muito bem cobrados. Daí a recomendação de se restringir as compras àqueles vinhos realmente especiais, que costumam custar muito mais caro no Brasil do que em seu país de origem. Trazer vinhos baratos e comuns é perda de tempo, de dinheiro e esforço físico inútil.

No entanto, fique sempre atento aos grandes vinhos, em especial os mais raros, e se der para comprá-los nas vinícolas ou em lojas especializadas, não hesite em fazê-lo. Além do fator preço, você vai garantir que o transporte será feito nas melhores condições possíveis, escapando das greves nos portos brasileiros e da estocagem inapropriada. Vale a pena...

Vinhos para viagem – dicas de compras

França – Na França, pense nos vinhos top de Bordeaux, como Petrus, Ch. Vallandraud, Le Pin, Château Margaux, Ch. Latour, Ch. Haut-Brion, Ch Leoville-las-Cases e o doce Ch. d’ Yquem; na Borgonha, procure os vinhos do Domaine Dujac, Domaine Prieuré-Roch, Dominique Laurent e Pacalet; no Rhône fique com os Guigal (La Landonne, La Turque e La Moline) ou o fabuloso Paul Jaboulet Aîné La Chapelle; em Champagne, busque o raro (e caro) Bollinger Vieilles Vignes ou o Bollinger RD, ou ainda qualquer vinho da casa Krug, uma referência obrigatória. No terreno dos brancos, a Alsácia tem verdadeiras obras primas como os Riesling Grand Cru, do produtor Zind-Humbretch, e os doces de Pinot Gris, deste mesmo produtor, como o inigualável Clos Jebsal Sélection de Grains Nobles. Ainda nos brancos, lembre-se dos vinhos do Vale do Loire, em especial o Château de La Coulée de Serrant, de Nicolas Joly, ou as preciosidades do Domaine Baumard. Na Borgonha, os Chardonnays do Domaine Leflaive são simplesmente divinos e merecem um lugar em sua adega.

Espanha – a cada dia que passa, a Espanha assume um lugar de grande destaque no cenário mundial. No entanto, alguns vinhos clássicos merecem sua atenção. Entre eles: Vega-Sicilia Unico, Mauro Vindimia Seleccionada, La Rioja Alta Gran Reserva 890 e La Rioja Alta Gran Reserva 904. Dos novos vinhos, procure: Numanthia Termes Thermantia, Sierra Cantabria El Bosque, Abadia Retuerta Pago La Garduña, Aalto PS, Alonso del Yerro Maria, Finca Allende Aurus, Villacreces Nebro, Viñedos de Páganos La Nieta, Sierra Cantabria Amancio, Vall Llach, René Barbier Clos Mogador, Álvaro Palácios L’Ermita, Clos Erasmus, Bodegas Roda Cirsium, e Viñas del Vero Blecua.

Itália – aqui vale a pena se concentrar nos modernos vinhos italianos, começando pelos fabulosos supertoscanos, dentre os quais destacam-se: Ornellaia, Masseto, Tignanello, Schidione, Lupicaia, Camartina e Solaia. Do Veneto, traga o Dal Forno Romano Amarone della Valpolicella. Da Umbria, o Falesco Montiano, um puro Merlot de fazer inveja aos famosos vinhos de Pomerol. No Piemonte, reinam absolutos os Ângelo Gaja, especialmente os seus Barbarescos de vinhedo único do Langhe: Costa Russi, Sori Tildin e Sori San Lorenzo e, é claro, traga também pelo menos um grande Barolo, como os produzidos por Luciano Sandrone ou Roberto Voerzio. Por fim, não se esqueça da Sicília, com seus vinhos intensos e marcantes. Fique com dois bons exemplos: o Donnafugata Mille e Una Notte e o Morganti Don Antonio.

Austrália - Penfolds Grange, Henschke Hill of Grace, Jim Barry The Armagh, Rosemount Balmoral, D’ Arenberg The Dead Arm, Mitolo Savitar, Elderton Command Shiraz e Wynns Michael Shiraz.

Argentina – Cuvellier Los Andes Gran Vin, Cheval des Andes, O. Fournier A Cruz Malbec, Catena Zapata Estiba Reservada, Cadus Syrah, Trapiche Iskay, Catena Zapata Malbec Argentino, Zuccardi Zeta, Noemia J. Alberto, Chacra Treinta Y Três Pinot Noir, Sophenia Synthesis, Salentein Primus Merlot, Susana Balbo Brioso e Cadus Malbec.

Chile – Clos Apalta, Almaviva, Viñedo Chadwick, Seña, Montes Alpha M, Viña Casablanca Neblus, Neyen del Apalta Espiritu de Apalta , Viu 1, Cono Sur Ocio Pinot Noir, Concha Y Toro Terrunyo Carmin de Peumo Carmenère, Concha Y Toro Don Melchor Cabernet Sauvignon, Matetic Syrah EQ, Valdivieso Caballo Loco, Domus Áurea, Montes Folly Syrah e Casa Lapostolle Borobo.

Uruguai - Família Deicas 1er Cru Garage Tannat, Bouza Merlot B9 Parcela Única, Bouza Tannat A8 Parcela Única, Juan Carrau Amat, Castillo-Viejo El Preciado, Pisano Arretxea e Pisano Tannat Axis Mundi.

 

 

O Autor

Arthur Piccolomini Azevedo

Arthur Azevedo é diretor da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-SP) (www.abs-sp.com.br), diretor e editor da revista Wine Style (www.winestyle.com.br), jornalista especializado em vinhos, palestrante e consultor da Artwine (www.artwine.com.br). Twitter: @artwine77

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