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Gramona, um Cava de exceção

Cava é a designação que se dá ao cada vez mais prestigiado espumante espanhol, do qual o nome Gramona é sinônimo de altíssima qualidade. Não faz muito tempo que os brasileiros aprenderam a apreciar o Cava. O espumante espanhol é produzido, em sua maioria, na Catalunha, mais precisamente na região em torno da pacata cidade de San Sadurní d’Anoia, de onde saem quase 80% de todas os Cavas espanhóis.

Produzidos em diferentes estilos -- dos mais jovens e frescos até os mais sérios e complexos -- os Cavas encontraram na gastronomia brasileira terreno fértil para a combinação mais que perfeita com peixes e frutos do mar, além de serem boa opção, inclusive em preço, para os momentos de descontração e lazer.

Com longa tradição no mercado, a política da empresa permanece a mesma: produzir somente Cavas de alta qualidade, com longo tempo de envelhecimento em contato com as leveduras. Esse tempo varia entre 18 meses (o dobro do mínimo exigido pela legislação), para os Cavas mais jovens, até incríveis 10 anos, para os de alta estirpe e produção limitada.

Um pé no passado e outro no futuro é a filosofia da Gramona. Tanto que a empresa preservou suas antigas instalações, datadas de 1881 e situadas no coração de San Sadurní, testemunho vivo das tradições da família Gramona Battle, conservando o nome da matriarca Pilar Batlle na antiga adega. Ao mesmo tempo, desde 2001, os Cavas são elaborados numa das mais modernas e bem equipadas vinícolas da região, com todo o instrumental tecnológico para a produção de vinhos em conformidade com a filosofia da empresa.

Um dos segredos mais bem guardados da família Gramona, fonte das mais variadas teorias, é o Licor de Expedição, que é aquele toque final que os melhores espumantes do mundo recebem, com a finalidade de acertar o teor final de açúcar e completar o nível da garrafa, compensando as perdas ocorridas durante o processo de retirada das leveduras.

Esse famoso e precioso néctar é produzido numa solera muito antiga, onde já trabalharam cinco gerações da família. A Solera consiste em colocar barricas empilhadas e passar o vinho (ou destilado) nelas, armazenado de uma fila para a que vem imediatamente abaixo, a cada determinado períodos de tempo. O objetivo é propiciar um complexo amadurecimento do vinho ou destilado que esteja armazenado.

O vinho a ser utilizado é sempre retirado da barrica mais próxima do solo (daí o nome “Solera”), completando-se o nível com vinhos (ou destilado) das barricas colocadas nos níveis superiores (as chamadas “Criadeiras”). No caso da Gramona, o conteúdo das barricas é altamente secreto (sabe-se que existem Jerez, Brandys e outros vinhos) e somente o mais antigo membro da família conhece a receita.

Atualmente, o detentor (e guardião) do segredo é o pai de Jaume Gramona, enólogo da Gramona. Segundo ele, ainda não é chegado o momento de revelar o segredo para o filho...

As cavas Gramona estão sendo importadas para o Brasil pela Casa Flora/Porto a Porto. 

 

 

 

O Autor

Arthur Piccolomini Azevedo

Arthur Azevedo é diretor da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-SP) (www.abs-sp.com.br), diretor e editor da revista Wine Style (www.winestyle.com.br), jornalista especializado em vinhos, palestrante e consultor da Artwine (www.artwine.com.br). Twitter: @artwine77

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