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O que fazer com a criança que não come?

Certamente esta é a pergunta mais freqüente feita pelas mães em consultórios de Nutricionistas e Pediatras. A falta de apetite é uma das queixas mais comuns das mães. Entretanto grande parte das crianças cujas mães apresentam esse tipo de queixa tem um apetite adequado à sua idade e suficiente para um bom crescimento e desenvolvimento.          

Onde tudo começa?

Durante o primeiro ano de vida a criança cresce com uma velocidade intensa e chega a dobrar o seu tamanho. Esse crescimento é, normalmente, acompanhado por apetite acentuado. A partir do segundo ano de vida o crescimento se torna mais lento e as necessidades nutricionais acompanham essa desaceleração. Conseqüentemente o apetite da criança passa a ser menor em relação ao primeiro ano.

Pode estar faltando alguma coisa

A carência nutricional é um fator que pode levar a falta de apetite na criança. Em geral, baixos níveis de ferro e zinco estão relacionados a alterações no paladar, interferindo negativamente na percepção do sabor e fazendo com que a criança não tenha prazer em se alimentar por não sentir o sabor dos alimentos.

Novos alimentos, e agora?

Para muitas famílias, oferecer novos alimentos à criança causa ansiedade e medo e é motivo para muita inquietação. Isso porque, ao experimentar um novo alimento, a criança está identificando um sabor diferente dos já conhecidos, podendo apresentar diversas reações.

Exemplo disto são as crianças por volta dos seis meses de vida que costumam fazer caretas ou cuspir quando são oferecidos sucos. Isso acontece porque a criança está habituada ao sabor do leite, e o sabor do suco é novidade para o paladar.

É de extrema importância oferecer o mesmo alimento repetidamente para proporcionar à criança a experiência de um novo alimento. Uma rejeição inicial não deve ser encarada como uma recusa definitiva da criança, e o mesmo alimento deve ser oferecido diversas vezes.

Os doces são os preferidos

Todos nós temos preferências, e as crianças têm preferências por sabores adocicados. Porém isso não significa que os doces devam ser liberados, mas sim que uma alimentação diversificada deve ser incentivada. Nunca use os doces como recompensa a uma refeição para que a criança não passe a supervalorizá-los.

Falta de interesse pelos alimentos

Outra causa comum é a falta de interesse pelo alimento, o que pode ser melhorado envolvendo a criança no preparo das refeições, em atitudes simples como ajudar a montar uma salada ou preparar um suco, e até mesmo ajudar a servir o próprio prato.

Estimular a criança a ter mais contato com os alimentos e investir em preparações diferentes e com boa apresentação ajudam a melhorar o interesse da criança pelos alimentos.

Fique atento

Há outras causas que podem levar a falta de apetite na criança, como o refluxo gastroesofágico, parasitoses intestinais, intolerância ao leite de vaca, infecções, entre outras causas.

É importante ressaltar que a introdução inadequada de alimentos no primeiro ano de vida, aspectos emocionais da criança (como a busca de atenção, por exemplo), desajustes nos horários de refeição, sono e escola são outras causas muito comuns.

Para avaliar quando a falta de apetite é normal ou se está relacionada a algum distúrbio, o ideal é realizar uma investigação clinica conjunta entre o Nutricionista e o Pediatra para que a falta de apetite não interfira no crescimento, desenvolvimento e saúde da criança.

 

O Autor

Vivian Zollar

Nutricionista
CRN-3: 21603

Diretora Geral da Qualy Food. Nutricionista e Técnica em Nutrição. Especializada em Adolescência pela Unifesp. Nutricionista da Top 30 Academia. Professora do curso Técnico em Nutrição da Etec Heliópolis e da Famesp. Docente da Pro Alimento.

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