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E agora, meu filho não come!

Essa certamente é uma das queixas mais freqüentes dos pais quando chegam aos consultórios de nutricionistas e pediatras, especialmente entre o segundo e quinto ano de vida da criança.
As causas são diversas: a recusa alimentar pode ser reflexo do comportamento alimentar da família, da introdução incorreta dos alimentos no primeiro ano de vida, além de fatores como a diminuição na velocidade de crescimento e deficiências de nutrientes.

Comportamento alimentar da família

Até os quatro ou cinco anos de idade, as crianças tendem a “imitar” os pais e buscam fazer as mesmas coisas. Porém, em um determinado momento na vida da criança, ocorre uma mudança de comportamento à medida que ela passa a almejar sua autonomia. Logo, a criança passa a escolher os alimentos que vai consumir. É nesse momento que podem aparecer sinais de recusa, especialmente se os hábitos alimentares da família forem irregulares. É fundamental que a família tenha participação ativa nesse processo do comportamento alimentar, principalmente, servindo como exemplo positivo à criança para que as “imitações” não se reflitam em alimentos calóricos, ricos em gordura e açúcar e de baixo valor nutritivo.

Alimentação no primeiro ano de vida

A partir dos seis meses de vida, a criança começa a receber alimentos complementares ao aleitamento para suprir suas necessidades nutricionais e evoluir no crescimento. A transição do aleitamento para a alimentação complementar é uma fase crítica, que deve ser conduzida cuidadosamente para que a introdução dos alimentos tenha reflexos positivos no hábito alimentar da criança nos anos de vida posteriores. Veja o texto “Alimentação no Primeiro Ano de Vida”.
Como essa é uma fase de descoberta dos alimentos e desenvolvimento do paladar, o comportamento alimentar desenvolvido nessa fase é determinante. Exemplo disso é a criança que durante a introdução dos alimentos recebe apenas sopas batidas ou papas com misturas de muitos alimentos de uma só vez. Essas “misturas” não permitem à criança identificar os sabores dos alimentos individualmente e ela acaba por não desenvolver seu paladar de forma adequada. Ao chegar aos quatro ou cinco anos de idade, essa criança terá grandes chances de desenvolver inapetência e recusa por não “reconhecer” o sabor e as características dos alimentos.

Diminuição do crescimento

Durante o primeiro ano de vida, o crescimento é acelerado e a criança pode crescer em média 25 cm nesse período. A partir do segundo ano de vida, a velocidade do crescimento diminui e a média de crescimento passa a ser de 5 a 7 cm por ano. Com o crescimento desacelerado, a necessidade de nutrientes também é menor, o que acarreta em uma diminuição normal do apetite nesse período.

Deficiências de nutrientes

O consumo deficiente de alimentos fontes de ferro e zinco pode também ocasionar a diminuição do apetite, especialmente o zinco, que está diretamente ligado ao paladar. Na carência desses nutrientes, a criança sofre uma redução em sua capacidade de identificar sabores, o que faz com que ela não sinta prazer em se alimentar.
Alguns outros fatores podem ainda afetar o comportamento alimentar da criança, como o interesse pelo ambiente, incentivo ao consumo de guloseimas, impulsionado pelo hábito alimentar das pessoas a sua volta e também dos apelos mercadológicos, propaganda de TV, entre outros.
Para identificar se a inapetência da criança é decorrente de alguma disfunção orgânica, é necessário fazer uma avaliação conjunta entre nutricionista e pediatra. Mas, independente de sua causa, a inapetência deve ser acompanhada para que não tenha conseqüências à saúde da criança.

O Autor

Vivian Zollar

Nutricionista
CRN-3: 21603

Diretora Geral da Qualy Food. Nutricionista e Técnica em Nutrição. Especializada em Adolescência pela Unifesp. Nutricionista da Top 30 Academia. Professora do curso Técnico em Nutrição da Etec Heliópolis e da Famesp. Docente da Pro Alimento.

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