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Onde há fumaça, é fogo!

É fogo entrar num ambiente em que sabemos que substâncias venenosas passeiam livremente pelo ar, contaminando com seu mal-cheiro nossas roupas, nossos cabelos e nossos corpos, causando enormes malefícios à nossa saúde e abreviando nossas vidas.

Se nem o apelo à boa-educação nem o argumento de que ninguém tem o direito de prejudicar a vida e a saúde de terceiros são suficientes para que os fumantes apaguem seus cigarros em ambientes de uso coletivo, então que caia sobre eles a mão forte da lei.

No mundo todo, ou pelo menos nos países que se pretendem mais desenvolvidos no respeito às liberdades individuais – e uma delas é não ser obrigado a se deixar matar –, estão sendo aprovadas leis que restringem fortemente o direito de fumar em ambientes de uso coletivo.

No Brasil, onde sete pessoas morrem todos os dias por doenças causadas pelo cigarro sem nunca terem colocado sequer um deles na boca, a legislação tem caminhado, mesmo que a passos mais lentos, no mesmo sentido. 

O Estado de São Paulo esteve atrasado nessa auspiciosa corrida, mas o governador José Serra está procurando recuperar o tempo perdido ao mandar recentemente à Assembléia Legislativa um dos projetos de leis mais restritivos do país nesse campo. De acordo com a proposta de Serra, será simplesmente proibido o fumo em qualquer ambiente de uso coletivo, o que inclui restaurantes, bares, repartições públicas e até mesmo áreas comuns de prédios e condomínios.

Exagero? Não é o que parece quando vemos a enorme quantidade de recursos públicos gastos anualmente pelas três instâncias de governo do Brasil com os problemas decorrentes daquele ato comum da senhora que ocupa a mesa ao lado da nossa no restaurante e que nos olha com uma expressão de “não me importune” quando percebe que nós e nossos filhos estamos nos sentindo prejudicados pelo fato dela estar fumando. De acordo com levantamentos do Centro de Oncologia de Campinas são mais de R$70 bilhões de reais gastos com leitos hospitalares, medicamentos, afastamentos do trabalho, aposentadorias precoces, etc (tudo pago com dinheiro dos nossos impostos), que poderiam estar sendo muito melhor investidos em educação, transporte, segurança e, claro, principalmente em saúde, no combate a doenças a que as pessoas não decidiram estar expostas por vontade própria nem tentam impô-las a ninguém.

E como fica o Morumbi diante dessa questão? Os proprietários de nossos principais restaurantes se preocupam com a saúde de seus clientes? Ou preferem não incomodar os abusados, impedindo que acendam os seus cigarros?

A equipe do Morumbi.Net foi a campo e fez um levantamento do que cada restaurante pesquisado oferece em termos de proteção à saúde dos clientes não-fumantes. O resultado não é dos mais animadores: a maior parte se restringe a cumprir a lei atual e não proíbe o fumo totalmente. Alguns dizem respeitar os fumantes, como se expor pessoas a doenças fosse uma forma de respeitar quem coloca os outros em risco. Mas, se tudo der certo, em breve o fumo em locais coletivos, no Morumbi, no Estado de São Paulo e em todo o mundo dito civilizado, será apenas uma lembrança da falta de educação das pessoas e do descaso das autoridades, jogado no lixo (totalmente contaminado) da história.

Fumo totalmente proibido: Almanara (Jardim Sul), America, Babbo Giovanni, Flying Sushi, Giorno Terraço e Round Hamburgueria.
Fumo permitido em áreas totalmente isoladas: Blooming Burger, Braumeister, Camelo, Casa da Fazenda, Casuale, Era uma vez um Chalezinho, La Pasta Gialla, Mercatto Pizzaria, Outback, Poncho Verde e Ragazzo.
Fumo permitido em áreas parcialmente isoladas: Baby-Beef, Bananeira, Skapino.


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