Vereador diz que prefeitura age no Real Parque para beneficiar ricos
O vereador Beto Custódio (PT-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, visitou a favela do Real Parque pouco antes do Natal. Depois de conversar com lideranças e moradores da comunidade, ele deu entrevista ao Morumbi.Net e usou palavras duras para definir a ação da prefeitura e do governo do Estado. "O que eu vi ali foi uma forma de luta de classes. De um lado, a Daslu e a Globo. Do outro um conjunto de mais de dois mil moradores", afirma Custódio, que faz ainda uma estranha ligação entre a ação na favela e o projeto "Cidade Limpa", que restringe a publicidade externa em São Paulo. "É para deixar a fachada bonita", diz.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara relata que ouviu dos moradores ameaças contra o poder público, caso a proprietária do terreno, a Empresa Metropolitana de Água e Energia (Emae), controlada pelo governo do Estado, continue a mover ações de reintegração de posse. "Isso tudo aqui vai virar praça de guerra", comenta o vereador, conhecido no parlamento pelo radicalismo de suas posições. Foi dele, por exemplo, a iniciativa de apresentar uma moção que, aprovada pelo Legislativo, tornou o presidente dos Estados Unidos, George Bush, em persona non grata na cidade de São Paulo.
O assistente social da subprefeitura do Butantã, Paulo Uehara, disse que não existe a possibilidade de novas ações de reintegração de posse no Real Parque. Pelo menos no curto prazo. A presença da subprefeitura na desocupação de parte da favela atendeu a um pedido da Emae. "A empresa nos procurou dizendo que oferecia passagens para moradores que quisessem voltar para o seu Estado de origem ou a permanência das famílias em hotel até encontrar um novo lugar para morar", disse Uehara. A contrapartida da subprefeitura foi auxiliar na reintegração de posse.
Procurada pela reportagem, a Emae fez um comunicado sucinto sobre o que pretende fazer com a área ocupada pela favela. O departamento de comunicação da empresa disse apenas: "ainda não há data prevista para dar continuidade à reintegração" Em outras palavras, podem ou não ocorrer novos confrontos no Real Parque.
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