Artista revela seus olhares pelas muitas janelas da vida
O mundo através das janelas. Este é o tema de uma coleção de quadros com a visão peculiar do artista Gino Battiston, que ficará em exposição até sábado, no espaço cultural My Guest, em São Paulo. A mostra revela a visão particular de Gino Battiston, através de um ponto que o coloca em contato com o mundo lá fora: as janelas das muitas casas e escritórios que habitou.
Na juventude, Gino Battiston foi um dos expoentes da geração de altos funcionários públicos que colaboraram com o então ministro Delfim Netto a solidificar os alicerces das políticas públicas ainda hoje em vigor. Gino foi secretário-geral do Ministério da Agricultura e secretário do Planejamento do Estado de São Paulo. Atualmente, é consultor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Entre uma conferência internacional e outra, Gino abria as janelas para um mundo só conhecido pelos mais próximos e nele se refugiava. Pintou paisagens guardadas em suas memórias, sempre com a preocupação de colocar na tela os objetos em perspectiva, com uma definição de traços e cores que dão ao observador a visão em profundidade, um olhar sobre o infinito das coisas.
"Gino Battiston se revela um artista nato, na sua experiência soma principalmente o ato de pintar incansavelmente, no olhar e colecionar os mestres: Sciliar, Flexor, Okayama, Gregory Fink, entre outros", diz a curadora da mostra, Lilian Heitor.
Gino Battiston herdou a preocupação com a perspectiva do maior de seus mestres: o italiano Paolo Ucelo, artista pré-Renascimento. Há quarenta anos, numa viagem a Londres, teve o primeiro contato com Ucelo. Viu um dos quadros dele, Batalhas, e descobriu que aqueles traços eram também o caminho dele para a arte. "Quando dei por mim, fazia três horas que estava olhando o quadro. A pintura de Ucelo dialogava comigo", conta.
Autodidata, Gino começou a pintar intensamente. Lílian Heitor viu na sua coleção de janelas um diferencial das artes plásticas e o incentivou a seguir nesse caminho. Os quadros poderão agora ser vistos pelo público em geral. "Esta exposição abre as portas e as janelas de Gino Battiston na pretensão de resgatar a essência do belo, da natureza, da memória de lugares por onde passamos e gostaríamos de guardar para sempre", observa a curadora Lílian Heitor.
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