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Paulo Maia: “Sou um ex-sedentário que reinventou sua própria história”

Paulo Maia sempre gostou de grandes desafios. Montar a primeira opção gastronômica de qualidade no Morumbi – a Pizzaria Mercatto, que, inaugurada há 10 anos, logo se transformaria num verdadeiro Oásis de boa gastronomia dentro do deserto de opções que o bairro oferecia – foi um deles. Outro, não menos importante na vida desse empresário de 52 anos, foi desafiar seus próprios limites e lançar-se literalmente mar adentro numa aventura que mudou os rumos de sua vida.

Após sofrer um infarto, há pouco mais de 10 anos, o empresário e ex-jornalista decidiu que mudaria seu modo de viver. Abriu mão do sedentarismo, dos dois maços de cigarro que fumava por dia e das noites mal dormidas. Retomou a prática da natação, esporte que praticava quando criança, e decidiu testar seus limites e sua capacidade de superação.

O desafio não era pequeno: ser o brasileiro mais velho a atravessar o Canal da Mancha e o Estreito de Gibraltar. Para encarar essa empreitada, Paulo Maia teve que enfrentar um ritual especial de alimentação, treinos diários de até 6 horas e alguns contratempos em suas relações pessoais.

Mas todo o esforço valeu a pena. Saudável, prestes a lançar um livro e às vésperas de inaugurar a segunda unidade da Pizzaria Mercatto, no bairro do Campo Belo, hoje Paulo é considerado um exemplo de que a luta entre o sedentarismo e a qualidade de vida nem sempre acaba em pizza. No caso de Paulo, ela começou ali. 

Leia a íntegra da entrevista. 

Morumbi.Net: Recentemente você nos deu dois importantes exemplos de determinação cruzando a nado o Canal da Mancha e o Estreito de Gibraltar. O que mudou em sua vida para tornar possível dois feitos como esses? E o que mudou em sua vida depois dessas aventuras?

Paulo Maia: Sem dúvida a grande mudança foi na parte física. Passei a treinar intensamente, cerca de 6 horas por dia, de manhã e à tarde, como um nadador olímpico. Praticava 100 tiros de 100 metros a cada 1minuto e 45 segundos. Tive que juntar a vida de atleta com as obrigações da vida. Minha rotina mudou por completo. Hoje, valorizo muito mais a importância do esporte tanto para a saúde como para a inclusão social. Estou prestes a lançar um livro, com título provisório de “Diário de um Aquaman”, no qual conto toda a minha história e busco frisar a idéia do antitabagismo, da importância de “mexer o corpo”, de se exercitar, de tirar a bunda da cadeira (TBC, como costumo dizer).

Morumbi.Net:  A sua Pizzaria Mercatto foi pioneira no bairro do Morumbi, instalando-se aqui quando não existia praticamente nenhuma opção gastronômica no bairro. Conte um pouco desse começo e de como vocês vêem enfrentando a concorrência.

Paulo Maia: Foi um começo como outro qualquer. Houve a fase da conquista, dos problemas e da estabilização. Entendemos o perfil do bairro e buscamos satisfazer o público nobre, moderno, exigente do Morumbi. Algumas vezes, tivemos que lidar com “obstáculos” como filas e garçons confusos, mas nada era irremediável. Houve momentos em que acabavam a farinha e o queijo mussarella. Nós tínhamos que sair correndo até o Pão de Açúcar para comprar. Hoje estamos estabilizados e abertos para receber um público democrático, que varia entre empresários, diretores de empresas, jornalistas e chefes de família, proporcionando conforto a nossos clientes. Quanto à concorrência, ela pode ser antropofágica ou pode servir para você melhorar o produto. Eu não tive problemas nesse aspecto.

Morumbi.Net:  O Morumbi mudou muito desde a inauguração da pizzaria, em 1998. O bairro melhorou ou piorou?

Paulo Maia: Com o crescimento do bairro, cresceram também os problemas. De repente, passamos a ter trânsito intenso, problemas de segurança e ruas esburacadas. Mas acredito que a essência do bairro permaneceu a mesma.

 Morumbi.Net: Por que escolheu o Morumbi para abrir seu negócio? 

Paulo Maia: Eu adotei o Morumbi e ele me adotou. Eu estava à procura de um espaço comercial que atendesse minhas expectativas e acabei me encantando com o verde, com as praças, com a arborização do bairro.

Morumbi.Net: Se você fosse prefeito de São Paulo, quais as medidas mais importantes que tomaria pelo bairro onde mora?

Paulo Maia: Daria continuidade à política de Kassab, que tem sido muito boa para o bairro. Seguiria com a construção de pontes e investiria no transporte coletivo, em especial o metrô. Outro detalhe que me chama muito a atenção é o fato dos moradores do bairro não interagirem com a região em que vivem. Buscaria incentivar o “andar nas ruas”, a cidadania.

Morumbi.Net: Na sua opinião, o que não se deve perder no Morumbi?

Paulo Maia: O bem estar que esse “cinturão verde” proporciona. O conjunto de moradores, paz, conforto e natureza...

Morumbi.Net: Na sua opinião, o que não se deve fazer no Morumbi?

Paulo Maia: O que aconteceu na Paraisópolis na última segunda-feira (dia 2 de fevereiro, quando houve confronto entre a polícia e grupos de moradores). É preciso de ordem pública, do poder do Estado em garantir nossa segurança. O bairro ficou chocado e os moradores assustados.

Morumbi.Net: Quais os planos de Paulo Maia para o futuro? As longas travessias a nado continuarão ou apenas as inevitáveis travessias do dia-a-dia?

Paulo Maia: Se, dentro de uma zona prazerosa, eu conseguir superar a dor física comum da vida dos atletas, principalmente os mais velhos, pretendo seguir com minhas travessias a nado. É meu momento de reflexão, eu comigo mesmo, cuidando do meu corpo, que é meu templo, minha casa. Pretendo dar a volta na ilha de Manhattan, Canal de Suez, trajeto Capri–Napoli... Vou desbravar os 7 mares, os 4 cantos do mundo!

 

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Pizzaria Mercatto
Local:
R. Mal. Hastimphilo de Moura, 93
Tel.:3746-6634