Mallu Magalhães: essa menina é daqui, ó!
Na década de 80, Regina Duarte encarnou uma mulher ousada e inovadora num seriado que fez época na televisão brasileira, chamado “Mallu Mulher”. Hoje, graças à internet, as celebridades surgem mais rapidamente. No caso de Mallu Magalhães, aos 15 anos. Sucesso na internet - mais precisamente no My Space - e famosa na mídia teen, ela é a mais nova artista emergente do Morumbi. Fã incondicional de músicos de décadas passadas, como Bob Dylan e John Lennon, Mallu lançou, em sua página on-line, gravações de algumas músicas compostas em inglês por ela mesma, acompanhada apenas pelo violão. Nada poderia ser mais ousado para uma menina de 15 anos, nesses tempos de música tecno e eletrônica. Com um som original, que ela chama de folkroll e folkabilly, Mallu rapidamente conquistou mais de 100 mil acessos em seu site e se transformou em pauta até mesmo para programas da grande mídia, como o Altas Horas de Serginho Groisman, na Globo.
Menina aparentemente acanhada e de poucos, mas seletos, amigos, Mallu é fã das coisas simples da vida, como ir com seu pai até a padaria próxima à sua casa, nas manhãs de domingo, para comer sanduíche de mortadela - “cortada bem fininha”, como faz questão de acrescentar. Nesta entrevista, ela contou ao Morumbi.Net do que mais gosta de fazer no bairro e como pretende tocar a vida, agora que virou celebridade. Com vocês, nossa ousada Mallu Menina.
Morumbi.Net: O que faz uma garota de 15 anos ter, como ídolos, astros da música que tiveram seu auge na década de 60 e 70? A música era melhor no tempo da vovó?
Mallu Magalhães: O que acontece é que na verdade eu perdi a noção de tempo. E, para mim, tanto faz a idade ou a década. Acho que temos que ouvir o que nós gostamos. Afinal de contas, minha avó teve a chance de ver o Jonny Cash e o Elvis, mas não viu. Quem sabe daqui a um tempo minhas netas não me digam espantadas. " Vó, não acredito que você não foi ao show da Hanna Montana". (nota da redação: Hanna Montana é a personagem da atriz e cantora Miley Cyrus, no seriado do mesmo nome, que vai ao ar no Disney Channel)
Morumbi.Net: Como e quando você começou a desenvolver o gosto pela música? O que te inspirou e o que te influenciou?
Mallu Magalhães: Meu pai sempre tocou violão muito bem. Eu adorava olhar, imitar os dedos de engenheiro dele e, acima de tudo, admirá-lo. Mas só que o violão sempre foi tão grande. No fim das contas, querendo tocar Leãozinho (do Caetano Veloso) e Blackbird (Beatles) comecei a freqüentar aulas de violão por volta dos 11 anos. Parei com as aulas e, além do mais, posso muito bem perguntar ao meu pai como é que se toca Leãozinho.
Morumbi.Net: Você costuma dizer que canta em inglês como um disfarce. O que você quer disfarçar
Mallu Magalhães: Se eu contar não vai mais ser disfarçado.
Morumbi.Net: Você contou em uma entrevista que não gosta de pessoas da sua idade. Quem são seus amigos?
Mallu Magalhães: Não é que eu não gosto. Eu gosto, mas não de todas. Na verdade, só tenho quatro amigos mais velhos do que eu.
Morumbi.Net: A relação com suas amigas é tranqüila ou pinta algum tipo de ciúmes ou inveja?
Mallu Magalhães: Nunca tive este tipo problema com as minhas amigas. Até porque se a pessoa for assim, eu me afasto dela.
Morumbi.Net: Qual a sua relação com o bairro do Morumbi? Além de morar aqui, o que mais você faz por aqui? Estuda em algum colégio do bairro, vai a restaurantes, parques, shoppings por aqui?
Mallu Magalhães: Moro aqui desde que nasci, mas não estudo no bairro. Minha escola é Lourenço Castanho, em Santo Amaro. Mas gosto de coisas perto, como a velha farmácia, a papelaria e a padaria que teve de se adequar com a lei dos outdoors. Ficou tão lisa!
Morumbi.Net: O que você acha que o bairro tem de melhor e de pior?
Mallu Magalhães: O melhor é a mortadela cortada fina da padaria do supermecado St Marche. Acordo cedo aos domingos só para saboreá-la junto com meu pai. O lado pior do bairro é que não tem uma super loja de cds.
Morumbi.Net: Como os seus vizinhos te encaram? Como apenas uma garota de 15 anos ou como uma jovem celebridade?
Mallu Magalhães: Não conheço meus vizinhos e acho que eles também não me conhecem.
Morumbi.Net: Alguns músicos têm uma relação muito particular com os bairros onde moram e chegam a compor músicas sobre ruas e localidades, como Penny Lane, dos Beatles, ou MacArthur Park, do Jimmy Webb. Você sente alguma coisa assim?
Mallu Magalhães: Eu já fiz uma citação em uma música, mas a palavra 'Morumbi' não encaixou direito, então fiz uma metáfora.
Morumbi.Net: Se tivesse que compor algo inspirado no Morumbi, que tipo de som seria? Qual lugar seria motivo de inspiração?
Mallu Magalhães: Seria um som calmo e contente, verde e com pedrinhas. Eu pensaria na minha araucária, que cresce, cresce. Tanto que quero plantá-la na praça aqui em frente, mas não sei se posso.
Morumbi.Net: Como funciona o processo de composição das músicas?
Mallu Magalhães: Cada hora de um jeito. Às vezes, nos intervalos dos ensaios, eu pego o meu banjo Tuto e componho uma música.
Morumbi.Net: O que é folkabilly e folkrol?
Mallu Magalhães: É a junção de duas misturas: o folk + rock-a-billy e folk + rock'n'roll. É isso que eu sou: o folk junto ao rock'n'roll e o rock-a-billy. Não vale a pena seguir um único estilo. É melhor criar o seu e foi isso que eu fiz. Criei o folkabilly e folkrol.
Morumbi.Net: Do que mais gosta na música brasileira?
Mallu Magalhães: Dos tropicalistas, de João gilberto, Tim Maia, Caetano, Mutantes e até do Cazuza. Gosto do Nelson Motta que além de ser jornalista, também é compositor.
Morumbi.Net: O que você está ouvindo no momento?
Mallu Magalhães: Além de todo pessoal que me acompanha em mp3 (Dylan, Cash, Vanguart), esses dias ando ouvindo muito Woody Guthrie.
Morumbi.Net: Quais são seus planos para o futuro. Você já recebeu convite de alguma gravadora?
Mallu Magalhães: Bom, eu estou fazendo minha música, entende? O próximo passo é um vídeoclip.
Acesse a página de Mallu no My Space:
www.myspace.com/mallumagalhaes
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