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Pobreza e educação

Há pelos menos três séculos os economistas tentam definir os fatores determinantes do crescimento econômico. O objetivo seria identificar elementos que permitissem expandir a produção de bens e as sociedades pudessem eliminar a pobreza material vivenciada por um grande contingente de pessoas.

Adam Smith sugeriu que o mercado livre e a especialização do trabalho seriam as causas fundamentais da riqueza das nações; Joseph Schumpeter priorizou a inovação tecnológica e a constante renovação dos métodos de produção como fontes da expansão econômica; Robert Solow tentou medir o impacto da poupança e do investimento no processo de geração de riqueza, mas não foi capaz de explicar um grande resíduo em suas estimativas que chamou de progresso tecnológico; Kenneth Arrow introduziu o conhecimento e a pesquisa nas equações do crescimento econômico; e John Galbraith sugeriu variáveis socioculturais como a base da armadilha da pobreza no mundo, entre muitos outros notáveis esforços de outros economistas.

Recentemente, Douglas North propôs que valores e instituições são determinantes no crescimento econômico, sendo essa tese atualmente aceita por todos. De fato, há correlação entre instituições eficientes, garantia de contratos e estabilidade de direitos com expansão econômica.

Muitos economistas deram importantes contribuições para o combate à pobreza, contudo nunca se conseguiu produzir uma teoria geral do crescimento. Conseguiu-se apenas identificar alguns fatores determinantes para a geração de riquezas. Mas, o governo brasileiro acredita que encontrou a fórmula que uma profissão inteira vem procurando e ainda não achou.

O caminho escolhido no Brasil para a superação da pobreza tem sido o do assistencialismo. O programa mais conhecido do País é o Bolsa Família, que transferirá em 2012 cerca de R$ 18,7 bilhões para 13,6 milhões de famílias. Através de ações como essa a miséria pode ser minimizada no curto prazo, mas é imprescindível que a sociedade reflita a respeito da necessidade de se promover ajustes em todos os programas de assistência social.

Toda transferência de renda deveria exigir que os beneficiários e/ou seus dependentes participem de cursos de capacitação profissional. Seria oportuno ainda que fosse vinculado à liberação de recursos em determinados programas um desempenho mínimo no ensino fundamental. De qualquer forma o objetivo deve ser um só: que o beneficiário de programas sociais não dependa de dinheiro público e possa gerar sua própria renda, fruto do seu trabalho.

A ruptura com a situação de pobreza acha-se na educação. È a qualidade do capital humano que gera crescimento e, subsidiariamente, também gera boas instituições.

Grande parte dos homens públicos brasileiros não aprendeu com o sucesso do Japão e da Coréia do Sul, que investiram pesadamente em educação. O Brasil ainda ignora esse clamor e confunde caridade, que é uma virtude pessoal, com políticas eficazes de geração de renda, virtude pública rara entre nossos governantes.

Marcos Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas.
Internet: www.marcoscintra.org
E-mail - mcintra@marcoscintra.org

 

O Autor
Marcos Cintra

Marcos Cintra é professor-titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas/FGV. Desde 1969 leciona teoria micro e macro econômica, finanças públicas, economia agrícola e desenvolvimento econômico na FGV, além de ter sido diretor da mesma entre 1987 a 1991. Obteve quatro títulos superiores pela Universidade de Harvard nos EUA – Mestre em Planejamento e Bacharel, Mestre e Doutor em Economia. Sua carreira política iniciou-se em 1993, como vereador de São Paulo, e desde 2008 é secretário do Desenvolvimento Econômico e do Trabalho na cidade de São Paulo.

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