
Lesões e enfermidades no esporte
A grande dedicação ao esporte praticado por muitos está caracterizada pelo desenvolvimento de muitas lesões, diferentes enfermidades profissionais e estados patológicos e pré – patológicos que implicam num perigo para a saúde dos esportistas e para a eficácia de seu treinamento e competição. Muitos esportistas excepcionais estão obrigados a despender mais atenção e tempo de cura das enfermidades e dos traumatismos que na própria atividade de treinamento e competição.
Vários deles têm suportado gravíssimas cirurgias e gastos de tempo e força na posterior reabilitação e recuperação do nível de treinamento. A prevenção desses fatos negativos deve envolver uma atividade dirigida em duas vias relativamente independentes: o caminho da medicina moderna e o caminho desportivo pedagógico.
A medicina desportiva moderna tem obtido resultados positivos e com diagnósticos precoces das patologias e tratamentos de diferentes traumatismos e enfermidades desportivas e reabilitação dos atletas. O caminho desportivo pedagógico, ao contrário, tem progredido com pouca eficiência e a prevenção de traumatismos e enfermidades é considerada como uma esfera de atividade secundária pelos dirigentes desportivos, treinadores, juízes e outros especialistas que determinam diretamente a atividade de treinamento e competição dos desportistas.
Causas das lesões e dos traumatismos no desporto
A maioria dos especialistas está convencida de que as cargas de treinamento e, especialmente, de competições são, com freqüência, excessivas e contribuem ao elevado número de lesões. Nos corredores de fundo, por exemplo, cerca de 30% a 70% das lesões ocorridas durante o ano deve-se a tais cargas. Os especialistas têm descrito uma dependência linear entre o volume global de corrida semanal e a quantidade de lesões.
Pode-se calcular, para este corredor, uma enorme carga nos tecidos muscular, ósseo e conjuntivo dos que percorrem de 4.000 km á 6.000 km ou mais durante o ano. É completamente natural que a ação acumulada dessas cargas estimule o desenvolvimento de traumatismos. As mudanças na técnica de colocação da perna e a utilização de diferentes variações da técnica, as trocas da velocidade de movimentos, as corridas sobre superfícies relativamente suaves (grama, areia), o planejamento cuidadoso das corridas com aclives e declives e a utilização de um calçado especial que assegure estabilidade e suavize a força de apoio ajudam, em um grau importante, na prevenção dos traumatismos.
O desequilíbrio muscular que se manifesta no desenvolvimento desproporcional dos músculos antagonistas e na insuficiente elasticidade dos músculos e ligamentos aumenta substancialmente a probabilidade de traumatismos desportivos. O treinamento adequado dos músculos e a utilização de exercícios que desenvolvam a flexibilidade por meio da utilização de exercícios de relaxamento no aquecimento, especialmente antes de um trabalho intenso, podem reduzir em até duas ou três vezes o número de lesões nos tecidos muscular, ósseo e conjuntivo.
Um importante fator na prevenção dos traumatismos desportivos é uma alimentação racional. As cargas prolongadas suportadas sem um correspondente consumo de carboidratos provocam lesões dos músculos esqueléticos e, inclusive, sua ruptura completa. Cargas excessivas podem conduzir a uma degradação das proteínas, que começa após esgotarem-se as reservas de glicídios e gordura, causando também a possibilidade de lesões musculares. Cargas demasiadamente freqüentes e volumosas de orientação aeróbica, e não reforçadas com dietas especiais, podem conduzir a uma diminuição da massa muscular, como conseqüência do catabolismo protéico e ao aumento da possibilidade de traumatismos e lesões.
O déficit de ferro, ligado à diminuição do metabolismo oxidativo, determina o acúmulo de lactato e aumenta a possibilidade de traumatismo. O déficit de vitaminas produz fadiga, retarda a recuperação e aumenta a probabilidade de traumatismo.
Alguns tratamentos médicos habituais podem produzir efeitos contrários. Por exemplo, a utilização de gelo e de outros meios analgésicos é um meio normal e muito utilizado por atletas que, após o treino, sentem dores por causa do exercício. Ao mesmo tempo, alguns desses meios, quando utilizados sem orientação de um profissional, representam um grande perigo, pois “camufla” a dor e, desta forma, os reflexos cardiovasculares e respiratórios são inibidos durante o bloqueio dos receptores da dor, criando, desse modo, as premissas para posterior lesão.
A prevenção dos traumatismos desportivos exige, antes de tudo, um estudo detalhado das causas e circunstâncias que provocam cada lesão. Uma lesão insignificante deve ser analisada por um médico, pelo treinador ou mesmo pelo desportista, para eliminar futuras conseqüências e excluir a possibilidade de sua repetição.
É necessário conscientizar-se de que a utilização de materiais e equipamentos desportivos de alta qualidade é uma parte importante da estratégia geral de prevenção de todos os tipos de lesões esportivas. Isto, sem esquecer-se da percepção subjetiva do esportista, que deve estar sempre atento a dores e cansaços que sente com o treino.
Profº Edson Pereira
edson@bksports.com.br
Profº Kim Cordeiro
kim@bksports.com.br
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