
A importância da Iniciação Esportiva Infanto-Juvenil
Apesar da popularidade e sucesso dos programas esportivos para crianças nos dias de hoje, o debate continua levando em consideração se a iniciação do treinamento esportivo específico organizado para crianças traz um desenvolvimento positivo ou negativo para a fase adulta.
Neste mês de novembro, teremos diversos dias a serem comemorados como, por exemplo, o dia da Proclamação da República, Dia do Esporte Amador, Dia do Não Fumar, Dia Internacional da Tolerância, entre outros. Essas datas têm relação direta ou indireta com o que cada pessoa faz para si mesma e para os demais. Todas elas foram constituídas através de valores que certamente o esporte ajudou a construir. O benefício potencial do esporte inclui o desenvolvimento físico - como a habilidade no aprendizado e a aptidão -, o desenvolvimento das características psicológicas - como uma auto-estima positiva e a capacidade em lidar com o ‘stress’ - e o desenvolvimento das qualidades sociais – como a empatia pelas pessoas e o desenvolvimento do relacionamento próprio com a vida.
No entanto, esses benefícios não são automaticamente transmitidos pela participação em jogos e campeonatos. Mas, provavelmente, tanto atitudes positivas quanto negativas no âmbito comportamental são potencialmente ensinadas o tempo todo no meio esportivo aos atletas mais jovens pelos adultos e pelos próprios companheiros. Se os benefícios físicos, psicológicos ou sociais devem acontecer através do esporte, eles devem ser planejados, estruturados e ensinados adequadamente, e positivamente reforçados. No entanto, isso nem sempre acontece.
As atividades esportivas podem contribuir para o desenvolvimento bio-psico-social harmonioso da criança e do adolescente nos diferentes períodos etários. Nesta fase, o esporte infanto-juvenil faz parte de um modelo social que desenvolve e organiza valores sociais e culturais para os indivíduos da sociedade contemporânea. O modelo social inclui, entre outras instituições, a família, a escola, o clube esportivo, onde afetam os indivíduos em relação às suas potencialidades e sua formação esportiva.
O que se deve ficar claro é que existem diferenças entre “prática escolar esportiva”, que se refere aos conteúdos a serem desenvolvidos pela Educação Física dentro do currículo escolar, e “prática esportiva escolar”, que se refere a atividades extracurriculares que podem ser chamadas de treinamento esportivo, tendo como finalidade representar a escola ou entidade em eventos competitivos ou não.
A ciência do esporte tem procurado determinar a faixa etária mais adequada para se iniciar um processo de treinamento esportivo específico ou de uma única modalidade esportiva com subsídios adequados para a elaboração de programas aos praticantes do esporte de rendimento. As idades em que os jovens atletas começam o treinamento específico e a competição de forma regular varia de acordo com as tradições existentes em cada país.
Alguns pesquisadores consideram que a faixa etária de 12 a 14 anos como a mais indicada para que a criança comece a participar do treinamento específico de uma única modalidade esportiva, assim como, de eventos competitivos. Outros pesquisadores não estabelecem idades específicas, mas advertem que o treinamento e as competições dos jovens não devem ser dimensionados com base apenas na idade cronológica, mas sim, pelas características físicas, emocionais e maturacionais, para que a prática esportiva não se torne uma obrigação, e sim um aspecto favorável ao seu desenvolvimento.
Uma especialização esportiva precoce, dependendo da forma como é conduzida, poderia provocar a perda da perspectiva de melhores resultados para a idade adulta, mesmo com bons resultados em competições infantis e juvenis.
O processo de treinamento em longo prazo pode ser dividido em três etapas:
a) Etapa de iniciação e formação básica geral, normalmente desenvolvida na fase dos 7 aos 12 anos de idade.
b) Etapa de treinamento específico, período destinado ao aprimoramento dos gestos específicos da modalidade, ou quando se inicia a organização e sistematização do treinamento, a partir dos 13 anos de idade.
c) Etapa de treinamento de alto rendimento, que compreende a fase de estabilização das capacidades condicionais, recomendado para a fase final da adolescência, a partir dos 17-18 anos de idade.
Levando em consideração os resultados das pesquisas já realizadas em entidades esportivas, conclui-se que, nas atividades esportivas promovidas para a criança, deve-se considerar a importância do trabalho multilateral sobre a preparação especializada nas idades propostas pela literatura (7 a 12 anos), promover atividades que visam aspectos coordenativos, com variações nos tipos de movimento e exercícios, com preponderância do desenvolvimento das técnicas da modalidade sobre o aumento da capacidade funcional do organismo, adequando o treinamento à idade biológica dos jovens, proporcionar métodos de treinamento mais atraentes e que valorizem o jogo infantil como um dos métodos mais adequados às necessidades das crianças e do adolescente.
Os pais devem ter consciência de que as crianças e os jovens não necessitam começar precocemente o treinamento e a competição regular de uma única modalidade. Pelo contrário, o início da prática esportiva generalizada de diferentes esportes é um aspecto positivo, no sentido de que a preparação esportiva do jovem deve ser um processo permanente de longo prazo. Uma formação esportiva iniciada nos primeiros níveis de escolaridade, em concordância com a escola desenvolvida por professores de Educação Física preparados, e tendo como o principal objetivo o desenvolvimento global e harmonioso da criança, o respeito à individualidade biológica, o conhecimento das particularidades de cada modalidade esportiva, constituem-se em pressupostos imprescindíveis não apenas para o desenvolvimento ideal como também para a criação de condições ótimas para o rendimento de alto nível e para construção de valores éticos e filosóficos importantes para o desenvolvimento de sua identidade.
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