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Diferenças entre Homens e Mulheres no Esporte

Não existem estresses tão desgastantes ao corpo que se aproximem aos esforços do exercício físico intenso. Se a pessoa estiver cansada ou desgastada por causa do exercício físico, e assim continuar por um período de tempo, até mesmo ligeiramente prolongado, pode ser facilmente letal.

Por este motivo que a fisiologia do exercício refere-se às discussões dos limites extremos submetidos pela maioria dos mecanismos corporais. Um exemplo simples seria uma pessoa com febre extremamente alta, aproximando do nível de letalidade, onde que seu metabolismo corporal aumentou cerca de 100% acima do normal. Em comparação, durante uma corrida de maratona, o metabolismo corporal aumenta até 2.000% acima do normal.

Por que na maioria das provas e competições o homem tem certa vantagem sobre a mulher? Estas vantagens vêm de princípios fisiológicos básicos, que mostram diferenças quantitativas entre os dois sexos, como o tamanho do corpo, a composição corporal e a presença do hormônio sexual masculino, testosterona. O músculo feminino pode atingir quase a mesma força máxima de contração que a do homem, entre 3 e 4 kg/cm2. Grande parte da diferença no desempenho muscular total reside na percentagem extra do corpo do homem, representada por músculos, devido às diferenças endócrinas.

As diferenças hormonais entre mulheres e homens certamente são responsáveis por grande parte, se não pela maioria, das diferenças observadas no desempenho atlético. A testosterona secretada pelos testículos exerce potente efeito anabólico, determinando aumento acentuado da deposição de proteína em todo o corpo, sobretudo nos músculos. Com efeito, até mesmo o homem que participa de pouquíssima atividade desportiva, mas que é bem dotado de testosterona, apresentará músculos que alcançam tamanhos de 40% ou mais acima de sua congênere feminina, com correspondente aumento da força.

O hormônio sexual feminino, o estrogênio, provavelmente também é responsável por algumas das diferenças observadas entre o desempenho masculino e o feminino. Sabe-se que o estrogênio aumenta a deposição de gordura na mulher, sobretudo em certos tecidos, como as mamas, os quadris e o tecido subcutâneo. Em parte, por esta razão, a mulher comum, não-atleta, possui cerca de 27% de gordura em sua composição corporal, em contraste com o homem não-atleta, cuja gordura corresponde a cerca de 15%.

Obviamente, isso é prejudicial para os níveis mais altos de desempenho atlético nas provas em que esse desempenho depende da velocidade ou da força corporal. Por outro lado, pode ajudar nas provas atléticas de resistência, que necessitam de gordura para energia, por exemplo, para a travessia do Canal da Mancha, ida e volta, onde a disponibilidade de gordura extra pode representar uma vantagem. Nesse aspecto, as mulheres provaram que possuem capacidades superiores de resistência às dos homens.

Resumindo, não podemos desprezar o efeito dos hormônios sexuais sobre o temperamento. Não há dúvida de que a testosterona promove a agressividade, enquanto o estrogênio está associado ao temperamento mais suave. Isto, certamente em grande parte dos esportes competitivos, depende do espírito agressivo que impulsiona o individuo até o esforço máximo.

Agora, sem nos aprofundamos demais nesse assunto, o uso de hormônios sexuais masculinos (androgênios) para aumentar a força muscular pode, sem dúvidas alguma, aumentar o desempenho atlético em algumas condições, tanto para mulheres quanto para homens pouco dotados (com secreção normal de testosterona).

Infelizmente, algumas das preparações sintéticas que tem as mesmas funções da testosterona podem causar lesão hepática e inclusive, câncer hepático. Nos homens, qualquer tipo de preparação hormonal sexual masculina pode levar à diminuição da função testicular, inclusive diminuição da formação de espermatozóides e secreção diminuída de testosterona, com efeitos residuais que persistem por vários meses e talvez, indefinidamente.

Em mulheres podem ocorrer efeitos ainda mais prejudiciais, pois o organismo feminino não está adaptado ao hormônio sexual masculino, resultando em aparecimento de pêlos no rosto, voz grave, ruborização da pele e cessação da menstruação.

Então, antes de utilizar um medicamento que “melhore seu rendimento”, sem conhecer os efeitos colaterais, procure sempre uma orientação adequada, como por exemplo, um médico ou um educador físico. Eles possuem conhecimento adequado dos efeitos destes medicamentos e lhes explicaram os pontos positivos e negativos do mesmo.

Tome cuidado com pessoas leigas que não tem conhecimento aprofundado destes medicamentos. Não pense que, porque funciona com seu amigo da esteira ao lado, vai funcionar com você. Cada organismo é único e reage de uma forma.

E bons treinos !!!!!

Profº Edson Pereira
edson@bksports.com.br

Profº Kim Cordeiro
kim@bksports.com.br

BKsports Assessoria Esportiva
www.bksports.com.br

O Autor

Prof° Kim Cordeiro

Sócio-diretor e treinador da BK Sports Assessoria Esportiva, Kim Cordeiro é formado em Educação Física pela UNISA, pós-graduado em Treinamento Desportivo pela FMU e tem diversos cursos realizados nas áreas de Natação, Ciclismo, Corrida e Musculação. É treinador de triathlon, ciclismo de estrada e corrida de longa distância há mais de 6 anos e responsável pelo treinamento da equipe profissional de ciclismo DHL – BK Sports. Como atleta, Kim foi campeão de duas edições do Extra Distance 800km e finalista de provas como o Ironman.


Os textos desta coluna contam com a colaboração do Prof. Edson Pereira

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