ArquivoCinemaAção SocialMegafoneClassificadosCadastro
Blogs & Colunas



















“S.O.S.” nas obras de Zuleika Bisacchi


A exposição “S.O.S.” propõe discutir a problemática do aquecimento global e suas relações em torno do meio-ambiente na qual a artista Zuleika Bisacchi apresenta suas mais recentes criações.

A experimentação criativa de Zuleika é marcada pela diversidade de meios e de linguagens que incluem pintura, escultura, instalações e objetos. Nesse momento, utilizando a fotografia, ela cria imagens engajadas nesse contexto do meio-ambiente. Um problema global abordado através da linguagem digital, enriquecida com a poesia visual e metáforas.

 “Constituída por trinta e duas imagens fotográficas de barro amassado sobre tela, a obra retrata, na verdade, um processo. O processo de transformação do barro homogêneo, passando pelos momentos de secagem, rachadura e o gradual destacamento da tela até se desprender o último granulo, restando apenas o próprio fundo da tela com uns poucos sinais do barro que antes esteve sobre ela”, afirma o antropólogo e crítico de arte Antonio Carlos Fortis, em seu texto de apresentação.

“Esse trabalho de Zuleika é de um impacto hermenêutico muito intenso. Não é apenas da passagem do tempo que ele dá conta. Trata-se de um registro da desaparição, da passagem do que é visível para o que resulta em meros rastros quase invisíveis, da passagem da existência para o inexistente, da consistência para a diluição. Ele revela o nada como substrato último de tudo o que tem visibilidade. Esse trabalho pereniza, por meio da imagem fotográfica, aquilo que todos nós queremos esquecer: a nossa própria provisoriedade, a nossa transitoriedade irremediável, a nossa mortalidade, enfim.”

“A obra cuja presença estamos evocando só poderia se tornar a fonte das pesquisas que se lhe seguiram. São essas pesquisas que Zuleika apresenta nessa exposição individual. Tudo se passa como se ela tivesse iniciado pelo fim, já que as obras que se seguem àquela primeira são, por assim dizer, a análise de que ela é a síntese estrutural.”

“O que é extraordinário nessa obra fecunda e poderosa é que ao ‘revelar’ o processo da vida (e da morte), ela revela ao mesmo tempo a própria natureza do ícone fotográfico. De fato, como disse Roland Barthes, a fotografia torna-se o signo de que somos mortais, já que se o real que ela mostra existiu, é porque não existe mais”, complementa Fortis.

Ao discutirmos questões relacionadas ao aquecimento global, o público terá, mais uma vez, a oportunidade de refletir sobre o tema. Nessa exposição, a artista Zuleika Bisacchi registra a sua preocupação pelo futuro do ecossistema através da sua visão renovadora e provocativa, exibida nas suas imagens.

Waldo Bravo
Artista-curador e arte-educador

www.contempoarte.com.br
www.waldobravo.com.br

 

O Autor

Waldo Bravo

Bravo é um artista-curador com experiência em arte-educação, desempenhando papel fundamental na formação de centenas de artistas brasileiros. Suas obras, além de publicadas em livro pelo Escritório Brasileiro de Artes – EBART, estão expostas em galerias e museus de diversos países, incluindo participações em mostras de grande prestígio, tais como Panorama da Arte Atual Brasileira no MAM, III Bienal Nacional de Santos, X Bienal Internacional de Arte de Valparaiso no Chile, Bienal de Vilnius na Lithuania, 1a Bienal de Gravura de Santo André, entre outros. É membro fundador do NALE - Núcleo de Arte e Linguagem Experimental, e atualmente é coordenador do Espaço Contempoarte em São Paulo.

Envie um e-mail

Leia todos os textos publicados nesta coluna
Vestígios
Teias e Tramas
“Atemporal”
Retrospectiva de Judith Lauand no MAM
29a Bienal de Arte
Obra de Leilah Costa na Rio Trilhos
Salão de Arte de Santo André
Exposição “Revisitando Duchamp”
Bia Black em “Sonha-me tua – Diálogos com Hilda Hilst”
“S.O.S.” nas obras de Zuleika Bisacchi
Trans-formação: a linguagem poética do movimento
Sinfonia cromática de Vicencia Gonsales
Arte: Emoção ou Razão?
Arte cultural ou arte comercial?
Introdução ao mercado de arte
Muito prazer, Waldo Bravo