AILA: um exemplo de amor e luta pelos animais
07/11/08
Cachorros circulam pelo escritório, brincando e xeretando por todos os cantos. Uma cadela usa como cama a mesa de trabalho de Marta Giraldes, coordenadora da ONG Aliança Internacional do Animal (AILA), que recebeu a reportagem do Morumbi.Net para contar um pouco sobre as atividade da instituição, que luta para proteger animais de maus-tratos, muitas vezes perpetrados pelos próprios donos.
A idéia de criar a ONG nasceu há nove anos, a partir de uma experiência pessoal e traumática de sua fundadora. Ao ver uma elefanta sofrendo maus-tratos num circo do interior de São Paulo, Ila Franco percorreu várias cidades brasileiras, acompanhando a peregrinação do circo, numa luta jurídica para tirá-la daquele lugar. Mas, a cada vez que o circo mudava de cidade, o processo tinha que recomeçar do zero. Naquele momento, Ila percebeu que precisava organizar sua luta para ter mais força. Assim nasceu a ONG. Quando finalmente Ila conseguiu, através da atuação da ONG, a guarda da elefanta, os proprietários do circo preferiram eletrocutar o animal a entregá-lo a ela.
Hoje, a instituição tem sede na entrada de Paraisópolis, onde presta serviços de atendimento veterinário a preços reduzidos. A clínica é bem equipada, inclusive com sala de cirurgia e estacionamento próprio, e atende a uma clientela que vem de todas as partes da cidade. “Tem muita gente que traz seus animais de bairros distantes da cidade, pois sabe que nosso trabalho é valoroso e que destinamos toda a renda da clínica para a causa da proteção dos animais”, diz a coordenadora Marta.
Boa parte do trabalho da ONG é mobilizado por denúncias. Alguns casos chegam a comover: espancamento, envenenamento, queimaduras e até tortura. Existe também o abandono e o confinamento. Em todos eles, a equipe da ONG vai até o local, tenta conversar com o praticante dos maus-tratos – normalmente o próprio dono –, explica que ele está cometendo um crime e, se for necessário, leva o animal para tratamento de saúde.
Depois de cuidados, os animais que estejam em boas condições de saúde são entregues ao centro de adoção, que fica na Cobasi da avenida Giovanni Gronchi. “Mas a adoção tem critérios. Nós precisamos ter certeza de que a pessoa entenda o que é a posse responsável”, afirma Marta. Para adotar um animal, a ONG exige que o interessado assine um termo de responsabilidade, além de responder a um questionário e pagar uma taxa de R$100,00. “Cobramos a taxa porque, além ressarcir o dinheiro gasto com tratamentos e alimentação, ela inibe os maus donos. Pior que o abandono é o reabandono”, diz Marta.
A ONG mantém também uma chácara em Cotia onde ficam instalados os animais que não são destinados a adoção em função de necessitarem de cuidados especiais permanentes. “Ninguém quer um cachorro ou gato idoso, mutilado, cego e diabético”, explica Marta.
A AILA atua também em campanhas mais amplas de luta contra maus-tratos em animais. Uma delas é o “Circo Legal Não Tem Animal”, que pretende proibir a utilização de qualquer tipo de atração envolvendo animais em circos que se apresentem em cidades brasileiras e que recebeu recentemente destaque no programa Fantástico, da TV Globo.
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